sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sobre videntes e o presente.


Eu me pergunto se eu tivesse ido numa cigana antes de engravidar, se ela ia me falar pra eu tomar cuidado...se as coisas iam acontecer assim...

Por isso que eu não vou mais no centro, porque eu não acredito em certas explicações, sei lá.

Porque se me falassem que ia ser dele assim, eu acho que eu não ia deixar ele se aproximar, eu ia ficar cabreira.

Vai ver que é por isso q eu nunca tive coragem de ir, porque eu não queria saber como as coisas iam ser, eu sempre quis acreditar que tudo ia melhorar, que eu ia conseguir dar certo.

E eu fico tão triste em pensar o quanto eu queria fazer as coisas darem certo, o quanto eu acreditava em tudo. E ao mesmo tempo nada me toca, tudo ficou tão distante.

E eu choro quando falo do quanto eu sofri, mas é como quando você vê o mesmo filme 1000 vezes e chora nas mesmas cenas, mesmo sabendo o final, mesmo sabendo o destino daqueles personagens desde o começo. Mas dói rever a historia.

Às vezes eu rio de mim, e tenho medo que as pessoas achem que eu sou frustrada, porque eu não sou. Já passou. Eu fiquei muito frustrada durante a gravidez, fiquei puta da vida pra caralho, nunca fiquei tão brava na minha vida, por isso o Matheus se joga no chão, eu acho...kkkkkkkkk

Ontem tava rolando uma conversa de relacionamento e eu falei, "ah, eu sofri tanto que quando eu fui abandonada grávida eu não chorei, e ri... porque é fato.

E daí me falam que acham muito foda eu ter batido a mão no peito e ter dito vou criar o menino, to gravida mesmo.

Mas eu não tinha escolha...sério, que que eu ia fazer?

Eu não sei que outro jeito eu podia fazer depois de tudo o que eu já tinha passado, de dirigir sem rumo pra ver se encontrava ele em alguma esquina só pra olhar pra ele, depois de ir atrás dele e enfiar a mão na cara dele e ele me dizer que não ia resolver nada. (era uma coisa "vou te bater até você gostar de mim), de eu virar a namorada perfeita e ainda assim ele sair escondido e fazer sei lá o quê por aí.

Depois de tudo isso, o quê eu ia fazer com um filho na barriga?
O quê que eu ia fazer com um filho dele nos braços?

E então me dizem: você poderia não amar o filho dele. Simples assim. Mas você amou desde o começo. E isso é foda.

Eu amo porque é meu filho, é meu e só meu, antes de tudo. O Matheus me libertou da minha obsessão por tudo.

Porque eu tenho que cuidar dele e não tenho tempo de ir atrás do pai dele pra barracar... rs
Mas principalmente porque se o meu filho não despertou amor nele, o amor que eu não despertei, não é culpa minha.
Ele não tem amor. E eu não quero um cara que não ama nada nem ninguém cuidando do meu filho.
Eu quero as coisas assim, do jeito que são
Porque é assim que eu sabia que seriam, por tudo o que foi.

E por mais que eu chore, eu gosto de falar sobre isso. Porque cada vez que eu falo e choro, parece que me limpa de mim.
Porque eu choro sem soluçar, e choro sem sofrer. Eu choro sorrindo.

Porque meu negocio é chorar, minha mãe briga comigo, "Porque você tá chorando, a gente tá conversando..." Mas o efeito catársico é forte. Muito emoção a flor da pele. Ou muita imaginação.

Sabe quando você tá terminando de chorar, que você não tá sentindo mais nada, só seu corpo esta chorando automaticamente?
É assim que eu sinto. Meu corpo respondendo aos estímulos da lembrança. E a vida seguindo seu caminho. Linda. Leve. Liberta.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Aniversário

Ontem eu saí do trabalho estressada, e entrei correndo no carro falando o que eu falo todo dia: ''quero minha casa, quero meu filho, quero minha mãe, quero comer"

Meu abrigo, o sorriso que faz tudo o que é chato perder o sentido, que dá sentido a minha vida. Ontem percebi que o Matheus não existe por causa de tudo o que aconteceu, mas sim porque ele deveria existir. Pra me colocar no lugar, pra me levar pra outros lugares, pra me brotar outros sentimentos, pra eu ser uma pessoa melhor.

Há 17 dias ele completou 2 anos, e antes de eu ser mãe, aniversário pra mim era festa, presente, motivo pra eu comprar feito louca porque eu mereço e trabalho, sair loucamente pq todo o mês é motivo pra comemorar.

Mas quando o meu filho fez seu 1o aniversário eu percebi o real sentido  da vida: celebrá-la. E isso não tem nada a ver com dinheiro ou rock'n'roll com cerveja. São as coisas simples de cada dia.
Cada passo, cada amanhecer, cada dente-de-leão voando, cada luz que se acende ao pôr-do-sol, o céu rosa-laranja-roxo do pôr-do-sol, as mudanças da forma da lua, os abraços dos amigos, a rotina que te faz ficar leve porque você sabe o que vai enfrentar, a quebra da rotina pra se divertir.

Não compro mais feito louca, porque a vida me dá presentes todo dia, e eu trabalho muito, mas tenho planos demais pra esbanjar o que nao tenho  (e tambem tenho dívidas o suficiente...rs).

Mas ainda saio loucamente, muito de vez em quando, mas intensamente. Pra ver meus amigos, quebrar a rotina, e ver o nascer do sol.

Hoje acordei com meu filho me chamando, e a voz dele dizendo  "mãe" é linda. E pegá-lo no colo e ele se agarrar em mim que nem uma aranha é o abraço mais gostoso do mundo. E fantasiá-lo e maquiá-lo de caipira para a sua primeira festa junina logo no meu aniversário não tem preço.

E quando minha mãe me abraçou e disse "parece que foi ontem" eu entendi. E é assim. A gente só entende quando é mãe. Porque mãe sempre ama mais que o filho. Mas o importante é celebrar a vida. Vivendo.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Mãe. Eu sou.

Ele me abraça. me beija.
Ele me chama, me chora, me ri. Me espera.

Eu o amo, o crio, o educo.
Brigo, alimento, banho.

Ele anda, fala, sobe, desce, cai.

Eu seguro, pego, afago, balanço, brinco.

Ele cresce. Eu aprendo.

Ele ensina. Eu cresço.

Eu, mãe. Ele, filho.

Ele, vida. Eu, fato.

Teatro.

Frases soltas salvas no celular pós Luis-Antonio Gabriela:

"Teatro é uma festa delicada. Paixão. Movimentos friamente calculados para mostrar o ardor de uma vida."

"(Me) Existo na possibilidade. Como se fazer possível?"

"Delicadeza. Sutileza. Sem censura. Leve. Pesado. Perdão. entrelinhas. Didático. Catársico."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O trampolim

Imagine o trampolim do pernalonga. Alto. Mas lá embaixo, ao invés de um copo d'água, uma piscina olímpica, no maior estilo piscina para saltos ornamentais.

E você sobe os degraus. E começa a andar na prancha. E para no meio. 

Você volta e desce ou simplesmente pula?

É só água, não vai doer. Vai dar frio na barriga, será divertido. Vai refrescar, esquecer dos problemas.
E pra descer você tem que se virar, se arrumar na escada, e descer, as a loser. So... What's gonna be?